domingo, 28 de setembro de 2008

Citação íntima: Paulo Coelho

Desde que o israelita entrara na sua vida, tudo tinha mudado. Até mesmo a pobreza era mais fácil de aguentar - porque aquele estrangeiro despertara nela algo que nunca conhecera: o amor. Quando o filho caíra doente, lutara contra toda a vizinhança para que ele continuasse em sua casa.
Sabia que, para ele, o Senhor era mais importante do que tudo o que acontecia sob os céus. Tinha consciência de que era um sonho impossível, pois o homem à sua frente podia ir-se embora naquele instante, derramar o sangue de Jezabel, e jamais voltar para contar o que tinha acontecido.
Mesmo assim, continuaria a amá-lo, porque - pela primeira vez na sua vida - tinha consciência do que era liberdade. Podia amá-lo, mesmo que ele jamais soubesse; não precisava de permissão para sentir a sua falta, pensar nele o dia inteiro, esperá-lo para o jantar, e preocupar-se com o que as pessoas podiam estar a tramar contra o estrangeiro.
Isso era liberdade: sentir o que o seu coração desejava, independentemente da opinião dos outros. Já lutara com os amigos e vizinhos a respeito da presença do estranho em sua casa; não precisava de lutar contra si mesma.
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Mas a vida não é feita de desejos, e sim de actos de cada um. Lembrou-se que já tentara desistir da sua missão várias vezes, e todavia estava ali, no meio daquele vale, porque o Senhor assim o exigiria.
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- Todas as batalhas na vida servem para nos ensinar alguma coisa - inclusive aquelas que perdemos. Quando cresceres, descobrirás que já defendeste mentiras, te enganaste a ti mesmo, ou sofreste por tolices. Se fores um bom guerreiro, não te culparás por isso - nas tão-pouco deixarás que os teus erros se repitam.
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Assim como lutámos com as mulheres e homens que amámos durante a vida, porque é este combate que nos abençoa, e nos faz crescer.

O monte cinco

4 comentários:

The White Scratcher disse...

Quando descobrimos que participamos na mentira e no engano é muito triste. As vezes acontece quando não conseguimos ver o que nos esta a frente. São dias em que aprendemos a não nos deslumbrar. SEmpre a aprender.

Abraço

pinguim disse...

Não é um manifesto anti Paulo Coelho, mas realmente é um tipo de leitura deliberadamente populista, feita por quem sabe manusear a escrita, é claro, mas que tem pouco de pessoal, é para vender...
Abraço.

Natacha disse...

Não sendo fã de Paulo Coelho, confesso que uma mensagem retirei do único livro que li ( O Alquimista) - é que devemos estar sempre muito atentos aos sinais...

Não desprezes nunca os sinais...

Beijos

Maria Clarinda disse...

Adorei este livro e em especial a passagem por ti escolhida que também me tinha marcado.
Jinhos