sexta-feira, 13 de abril de 2007

Pseudo-poeta

Logo no inicio da segunda metade dos anos 80 (ainda um jovem colegial), fruto das circunstâncias e do contexto, nascia em mim o pseudo-poeta, com este "poema" (adequado aos sentimentos da época):

O aluno

É a flor que brota do verde campo,
Mal tratada, sem se puder defender,
Talvez sendo uma rosa o pudesse fazer,
Dessas mãos selvagens, que usufruem do seu grampo.

Mãos selvagens sem compaixão,
Que fazem feio o que lindo é,
Que fazem lixo do que bom é,
Derrubando-o para o chão.

Essa flor sem o querer,
É amachucada sem piedade,
Ai! Que ninguém o bem te quer.

Semearão em mim alvitres tristes
Quando eu silva for,
Sem lástima eu hei-de me vingar.

1986

7 comentários:

Arion disse...

:) Em 1986 eu tinha 20 anos... Bom fim-de-semana!

pinguim disse...

Amigo Lampejo
há sempre um começo para tudo. E já se notava, há tantos anos, fruto ou não do contexto, essa visão pessimista que ainda persiste em ti, e deves abandonar. Deixa se ser silva..., só aos teus olhos isso te parece...
Um abraço.

MrTBear disse...

O desabrochar de um poeta???
Aos 17 tudo é permitido, mas concordo com o Pinguim, já lá estava o Lampejo.... e ainda deve faltar muito tempo para seres silva (espero eu)
Bom fim de semana

Tongzhi disse...

Ele um dia muda... tenho a certeza que sim :)

Catatau disse...

Hum... olha lá, isso não é nada contra os profs, pois não?!
Dá-me a impressão que estavas numa de "Hey, teacher, leave the kids alone!", rrsssssss... ;)

Natacha disse...

Permito-me utilizar o teu espaço para partilhar o primeiro Pseudo-poema que escrevi em 1991 ... tinha 16 anos:

SE

Se o Sol não nascesse, e aquela árvore não crescesse;
Se a maré não enchesse e o Mundo não girasse;
Se os pássaros não cantassem, ou se os cães hibernassem;
Se os ricos fossem pobres e o inverso também fosse verdadeiro;
Se os nobres não mais fossem nobres e os milionários dessem todo o seu dinheiro;
Se o Homem fosse imortal, ou pacífico ou ecologista;
Toda a vida seria caricatural, tudo estaria errado, algo no Universo estaria trocado!
Mas há aquela verdade absoluta, aquela característica imútavel,
Que nem com mais ou menos luta seria de todo alterável:
TU EXISTES!
E mais importante ainda, estás lá quando é preciso ... SEMPRE!

EU! 1991

Desculpa o abuso, mas como eu hoje olho esta escrita com um olhar diferente de o de então, gostaria que também o fizesses! Daquilo que leio dos teus amigos sinto-te amargurado ... mas EXISTES!

Fica bem ;)

lampejo disse...

Arion, belos tempos...

Pinguim, na época apenas havia uma revolta pelo tratamento que me tinha sido dado, nada mais. Eu era optimista...

Assim também o espero MrTBear ...

Tz, ;).

Catatau, não é nada contra os professores, eu até guardo boas recordações de alguns do meus professores. ;)
Era esse o espírito...

Natacha, estás a vontade, alias o poema é bonito, obrigado.
Infelizmente existe amargura na minha pessoa, não posso negar...